Época das Carraças

Nídia Teiga Doenças e Parasitas

foto de carraça num dedo

A primavera é uma estação repleta de novidades, mas também nos traz coisas muito indesejáveis, principalmente para os nossos animais de estimação. As carraças ocupam um lugar de destaque nos possíveis parasitas do cão. É necessário que os donos tenham cuidado com os seus animais e com a sua família e os protejam principalmente durante os 7 meses que dura a época (Abril a Outubro).

A carraça pode ser considerada não só um perigo para a saúde do animal mas também para a saúde pública pois enquanto portadora de bactérias, vírus e microrganismos poderá também transmitir uma grande variedade de doenças quer através da sua picada ou da ingestão por parte do animal.

O cão, que cumpre as função de companheiro e de guarda, em particular, além da falta de cuidado por parte de alguns donos que não cumprem as condições de maneio nem de higiene básicas para os manter, associados ao facto do nosso clima ser cada vez mais quente, são fatores que contribuem decisivamente para a proliferação deste parasita.

Tipos

A carraça é um parasita externo que utiliza uma vários animais para se alimentar através do seu sangue, nomeadamente cães, gatos, aves, suínos, roedores e ruminantes, entre outros. Existem cerca de 800 espécies de carraças em todo o mundo, embora em Portugal apenas uma dezena dessas espécies tenha incidência. Em Portugal a mais comum é a Rhipicephalus sanguineus, onde o seu corpo é  castanho e aloja-se nas orelhas, pescoço e patas do cão. Estas encontram-se mais ativas na primavera e no outono.

As preferências alimentares das carraças, isto é, o animal hospedeiro que preferem para se alimentar, assim como a localização do corpo do mesmo, são diferentes para cada género/espécie de carraça.

Transmissão

Para poderem transmitir as bactérias ou os microrganismos causadores de doenças, as carraças necessitam de estar alojadas pelo menos 24 horas no animal. Os vírus podem ser transmitidos em minutos, embora as bactérias e os parasitas precisem de mais tempo sendo que poderemos definir um intervalo de tempo entre as 6 e as 72 horas. Este processo inicia-se com as carraças adultas a depositarem os ovos na vegetação média e alta e que apresentem algum grau de humidade. No verão, para facilitar a passagem para os animais, as carraças instalam-se nas pontas das ervas e arbustos nas horas mais frescas do dia (manhã e final da tarde) . Posto isto os locais de maior risco são os parque e jardins, sendo que no interior do país a incidência é maior.

Doenças

Nem todos os cães infetados pela picada da carraça ou ingestão apresentarão sinais de doença pelo que a picada poderá resultar apenas numa pequena espoliação de sangue e inflamação local. Se o caso se tornar mais sério este pode manifestar-se através da febre, depressão, letargia, descarga nasal e/ou ocular, perda de peso, mucosas pálidas, tosse, dificuldades respiratórias, vómitos, diarreia, presença de sangue na urina, distúrbios neurológicos, paralisia, hemorragia nasal, choque e mesmo morte caso os animais não sejam atempadamente tratados. Devemos então inspecionar os nossos animais no regresso de cada passeio. Em Portugal, o número de doenças transmissíveis por carraças tem vindo a  aumentar nos últimos anos, devido ao aumento das temperaturas que se  têm feito sentir e do aumento de animais domésticos.

Nos humanos, os sinais clínicos começam com uma pequena úlcera vermelha coberta por uma espécie de borbulha negra no local da picada da carraça na pele e, passados alguns dias, podem aparecer sintomas de febre, dor de cabeça, erupções cutâneas, mialgias, náuseas e vómitos, dor abdominal, conjuntivite, gânglios linfáticos aumentados, diarreia, perda de equilíbrio, estado mental alterado, artrites e icterícia.

Como remover carraças

As carraças podem ir do tamanho de uma ponta de um lápis até ao tamanho de um feijão. Se estas não tiverem picado o seu cão basta escovar ou retirar com uma pinça, por exemplo. Se a carraça já estiver agarrada à pele do cão, não devemos entrar em pânico pois não significa que a doença já tenha sido transmitida.

Não devemos utilizar nenhuma substância, como por exemplo álcool, para tentar com que esta adormeça. Se tiver uma pinça de pontas afiadas ou especial para carraças, agarre a carraça o mais próximo da pele possível e rode-a suavemente até que esta se desprenda. Depois de remover a carraça deve limpar a área com um sabão neutro e água morna. Observe a picada nos dias seguintes para verificar que não criou nenhuma inflamação. Se achar necessário guarde a carraça num frasco para mostrar ao seu veterinário.

 

Apaixonada por animais e o seu melhor amigo é o Dallas, um Boxer muito querido e louco para a brincadeira.

Blogger e Community Manager da Love Pet Food. Licenciada em Economia na Nova School of Business and Economics e mestre em Marketing pelo ISCTE Business School.

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